2 de setembro de 2015

Still Alice


Still Alice foi o filme que deu a Julianne Moore o Oscar de melhor atriz. No Brasil o filme foi nomeado como Para Sempre Alice e já está disponível no Netflix, onde eu vi.
Trata-se de um filmes simples, com um enredo simples, mas de uma profundidade tremenda.
A história de Alice, personagem de Julianne Moore, nos é introduzida em um jantar onde ela comemora com a família seu aniversário. Trata-se de uma mulher feliz e realizada tanto profissionalmente, quanto pessoalmente; é professora universitária, mãe de três filhos, referência em sua área de estudos e vive um momento de vida em que está presenciando o sucesso dos filhos. Está sempre muito orgulhosa pelos dois primeiros, mas preocupada com a caçula, Lydia (Kristen Stewart), que é a mais distante. Alice tem o desejo de que a filha faça faculdade, mas a menina quer ser atriz.
Sutilmente, Alice começa a esquecer palavras, objetos ou pequenos compromissos e a medida que ela percebe que isso está se agravando ao ponto de prejudicar seu trabalho como professora, ela resolve procurar um neurologista que a diagnostica com Alzheimer precoce, o que causa um grande confusão em sua vida. 


Além de ter que lidar com seu próprio drama, Alice descobre que a doença aconteceu tão cedo por se tratar de uma doença genética herdada de seu pai e que, provavelmente, seus filhos também podem desenvolvê-la. Todos fazem exames, mas somente o de Anne é revelado como positivo, já que o de Charlie dá negativo e Lydia se recusa a ver seu resultado.
Sem desanimar ou se deixar levar pela depressão, Alice tenta ao máximo viver sua vida normalmente, treinando seu cérebro diariamente para que não esqueça coisas triviais como seu nome, o dia de seu aniversário, o endereço de sua casa...  No entanto, ainda assim, a cada dia que passa, se torna mais esquecida. 
Em um discurso emocionante em uma palestra sobre Alzheimer, Alice conta sobre as perdas que a doença lhe trouxe, pois fazia com que diariamente ela lutasse para nunca deixar de ser ela mesma e esquecer tudo que construiu a vida toda: sua carreira, seu conhecimento, suas lembranças...
A aproximação da família e a certeza de que chegaria ao ponto em que, um dia, se deixaria completamente pra trás, fazem com que Alice aceite as escolhas de Lydia de ser atriz e comece a ter um bom relacionamento com a filha.
A doença chega a certo ponto em que Alice não tem mais controle sobre si mesma e é no dia em que está sozinha em casa que encontra no laptop um vídeo que ela gravou, assim que descobriu a doença, para que visse quando não tivesse mais controle sobre seus atos, dando instruções para suicidar-se. A salvação é o próprio Alzheimer, já que Alice sempre se esquece na metade do procedimento o que o vídeo propunha, dando tempo para que alguém chegue e a salve.


Eu achei esse filme maravilhoso e de uma delicadeza imensa, por que, imaginem: saber que vai morrer e ficar pensando sobre isso já é uma coisa maluca; agora saber que vai morrer e continuará viva deve ser mais louco ainda. É exatamente isso que acontece, Alice vai vendo dia após dia tudo que ela construiu, sua carreira, seu nome, sua família, sua vida se apagando de sua memória sem poder fazer nada. Achei muito emocionante a cena em que a filha mais velha dela dá a luz e o marido a leva ao hospital para conhecer os netos e ela não lembra o por quê da filha está ali e nem ao menos se lembra se ainda sabe como é segurar uma criança nos braços. Adorei também as cenas de Alice e Lydia, que era a filha mais distante que se aproxima da mãe e fica ao seu lado ainda que ela não lembre mais dela própria.
Julianne Moore realmente mereceu ganhar o Oscar. Deixo abaixo o discurso feito por Alice em sua ultima palestra:
“A poetisa Elisabeth Bishop escreveu: ‘A arte de perder não é nenhum mistério; tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério’. Eu não sou uma poetisa. Sou uma pessoa vivendo no estágio inicial de Alzheimer. E assim sendo, estou aprendendo a arte de perder todos os dias. Perdendo meus modos, perdendo objetos, perdendo sono e, acima de tudo, perdendo memórias.
Toda a minha vida eu acumulei lembranças. Elas se tornaram meus bens mais preciosos. A noite que conheci meu marido, a primeira vez que segurei meu livro em minhas mãos, ter filhos, fazer amigos, viajar pelo mundo. Tudo que acumulei na vida, tudo que trabalhei tanto para conquistar, agora tudo isso está sendo levado embora. Como podem imaginar, ou como vocês sabem, isso é o inferno. Mas fica pior.
Quem nos leva a sério quando estamos tão diferentes do que éramos? Nosso comportamento estranho e fala confusa mudam a percepção que os outros têm de nós e a nossa percepção de nós mesmos. Tornamo-nos ridículos. Incapazes. Cômicos. Mas isso não é quem nós somos. Isso é a nossa doença. E como qualquer doença, tem uma causa, uma progressão, e pode ter uma cura. Meu maior desejo é que meus filhos, nossos filhos, a próxima geração não tenha que enfrentar o que estou enfrentando. Mas, por enquanto, ainda estou viva. Eu sei que estou viva. Tenho pessoas que amo profundamente, tenho coisas que quero fazer com a minha vida. Eu fui dura comigo mesma por não ser capaz de lembrar das coisas. Mas ainda tenho momentos de pura felicidade. E, por favor, não pensem que estou sofrendo. Não estou sofrendo. Estou lutando. Lutando para fazer parte das coisas, para continuar conectada com quem eu fui um dia.
‘Então, viva o momento’, é o que digo para mim mesma. É tudo que posso fazer. Viver o momento. E me culpar tanto por dominar a arte de perder. Uma coisa que vou tentar guardar é a memória de falar aqui hoje. Irá embora, sei que irá. Talvez possa desaparecer amanhã. Mas significa muito estar falando aqui hoje. Como meu antigo eu, ambicioso, que era tão fascinado em comunicação. Obrigada por essa oportunidade. Significa muito para mim.”

11 comentários:

  1. Ainda não tive a oportunidade de ver esse filme! Mas quem sabe um dia eu não assista, pode ser até que eu goste e lhe dê os parabéns pela dica. :)

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  2. Oi, tudo bem?

    Eu achei a história muito boa, triste, mas boa! Minha a vó teve a doença e eu sei como é difícil, confesso que iria chorar horrores, mas acho interessante de assistir isso como telespectadora e não como personagem. Parabéns pela resenha, linda :)

    Beijos
    www.carolice.com

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  3. Oi linda! (que blog fofo!)
    menina, chorei apenas lendo a sua resenha. A Julianne Moore é minha diva, acho ela incrível e sei que o Oscar foi merecido. Mas ainda não consigo ver esse filme, sei que vou chorar litros e rios, vi o Alzheimer destruir uma vida, vi como ele afeta não só o doente, mas todos ao seu redor, é triste ver que no final não só as lembranças dele se foram, mas as lembranças deixadas pela doença afeta tanto os outros que as vezes é dificil recordar como a pessoa era antes do Alzheimer se agravar. Um dia vou tomar coragem pra ver esse filme (sozinha, claro, assim posso chorar as pitangas sozinha hahahaha)
    ótimo post!
    Pan
    Acesse o Pan's Mind
    Loja Virtual Geeku Line

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    1. Que bom que gostou da resenha Pandora! Tenho certeza que gostará muito do filme, principalmente se já gosta da Julianne! Ela está divina.

      Beijos

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  4. Oi Giulia!
    Esse filme é mesmo lindo. E finalmente a sempre ótima Julianne Moore levou o seu Oscar! Merecido!
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  5. Caramba cara. Realmente parece ser um filme bem envolvente. E nossa morro de medo de acabar tendo essa doença, ou que meus pais tenham. Que minha vó tem e é bem triste mesmo. Agora fiquei super curiosa para ler o livro e ver no que vai dar. Porque infelizmente não tem cura né?!

    Inquietudes Secretas

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  6. Oooi! Bem? Passando pra divulgar o blog literário - Conversas de Leitor - que acabei de criar! Queria contar com o seu apoio, pois blogueiro sabe como é difícil iniciar um blog, né? Ainda tô postando resenhas e mexendo no template, mas ele tá até legalzinho haha Pretendo postar resenhas de livros, séries e filmes! Não vou fazer o esquema troca de seguidor, mas se você seguir só deixar o link abaixo que retribuo, tá? Beijão
    https://conversasdeleitor.blogspot.com

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  7. Oi
    Eu quase não ando assistindo filme por isso ainda não vi esse,
    mais parece ser uma história bela e emocionante com uma boa atuação.
    Gostei do poste e até me lembrou que ele existia que já tinha até esquecido dele.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  8. Olá!
    Antes de ver o filme, eu li o livro e AMEI, aí sim decidi ver o filme haha
    Os dois são incríveis e muito parecidos <3
    Beijos

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  9. COMO EU AMO ESSE FILME <3 Ainda não superei mas quando tiver melhor vou ler o livro SHASU As cenas da Kristen com a Julianne acabaram comigo, com certeza mereceu o oscar,
    Beijoos,
    Sétima Onda Literária

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