Não me lembro em que ocasião, mas certa vez conversava com alguns amigos de infância sobre o quão grandiosas as coisas soam enquanto somos crianças. Tudo é mais colorido, especial e impactante. Um simples guarda-chuva que você acabou de ganhar de presente de sua mãe pode se tornar seu objeto preferido; até que você enjoe dele, é claro.
"Porque a gente era desse jeito?" questionei enquanto ria das lembranças com meus amigos.
Essa foi a situação que me veio em mente quando se iniciava o filme Divertida Mente com o trecho: "Você já olhou uma pessoa e se perguntou: O que se passa na cabeça dela?".
Obviamente assisti ao filme por mais de uma vez. Inclusive, antes de escrever sobre ele, o assisti mais uma vez; mas dessa vez, chegando a conclusão de que não importa quantas vezes eu venha a assistir, sempre irei rir e chorar como na primeira vez. A verdade, é que pra mim, foi como se eu estivesse vendo o período de transição de qualquer pessoa; o meu inclusive.
O filme mostra como as emoções moldam cada momento da vida da menina Riley através de uma especie de sala de comando dentro da cabeça dela. Dentro dessa sala, quem está sempre a frente é a primeira emoção manifestada pela menina: a Alegria; e quem está sempre a margem é a Tristeza; os outros sentimentos são a Nojinho, o Raiva e o Medo.
Durante o dia da menina, esses sentimentos se revesam nos momentos mais apropriados para formarem as memorias que moldam os aspectos da personalidade dela. Tudo parecia bem até que o período de maior mudança da vida de uma pessoa chega em Riley não só com uma mudança interna, mas externa também. Ela tem que mudar da cidade que tanto gosta por causa do trabalho do pai, tendo que deixar pra trás seus amigos, escola e esporte favorito. Pra completar, a Tristeza passa a não ver sentindo em sua existência e se sentir inútil por ser sempre impedida de estar no controle.
Enquanto a Alegria tenta transtornar todas as más impressões que as outras emoções estão causando em Riley do novo lugar, a Tristeza transforma, sem querer, uma das lembranças da menina, de uma coisa alegre, para uma coisa triste, exatamente no momento em que ela lembrava desse momento frente a sua nova sala de aula. Esse momento constrangedor da menina chorando em sala de aula com saudades de sua antiga cidade faz com que se crie a primeira memória base, aquelas que serão guardadas para sempre, triste. A Alegria tenta impedir que essa memória seja arquivada em Riley e a confusão que faz para impedir, faz com que Alegria e Tristeza sejam mandadas para fora da sala de comando, fazendo com que tudo fique nas mãos do Raiva, do Medo e da Nojinho. O Raiva logo assume a liderança antes assumida pela Alegria e faz de Riley uma pessoa agressiva.
Enquanto isso, Alegria e Tristeza tentam de diversas formas voltar a sala de comando; para isso contam com a ajuda de Bing Bong, que está perdido nos arquivos de memória de Riley e é o amigo imaginário com quem ela brincava quando criança. Bing Bong quer voltar a compartilhar momentos com Riley e planeja voltar para a base de comando com Alegria e Tristeza através do Trem do Pensamento. Mas todas as atitudes que o Raiva está tomando faz com que os aspectos de personalidades sejam quebrados e na queda de um deles, Alegria e Bing Bong caem no esquecimento. Para livrar a Alegria do esquecimento, Bing Bong se sacrifica e é esquecido.
Na sala de comando o Raiva coloca em Riley a ideia de fugir de casa, mas no processo de volta, a Alegria percebe que a Tristeza é a solução para tocar a sensibilidade de Riley e fazer com que ela volte pra casa. Tristeza, pela primeira vez, se sente útil assumindo o comando.
Depois do ocorrido todas as memórias passam a ser, não só alegres, ou tristes, mas equilibradas; logo, novas ilhas de personalidades são formadas.
Achei o filme tão lindo para percebemos o quanto, por vezes, supervalorizamos alguns momentos, principalmente alegres, enquanto outros simplesmente caem na ilha de esquecimento ou são marginalizados. Nunca damos valor ao que sempre ouvimos dizer ser ruim. Quem disse que os momentos de tristeza não são bons? Que têm que ser evitados? As vezes são a resolução dos nossos problemas; falar consigo mesmo, repensar seus atos... Talvez como se fosse uma terapia onde você se assume para você mesmo, para que então possa dar o próximo passo mais leve. Quem saiba nem seja tristeza, mas reflexão, acontece que de todos as emoções daquela sala de comando, a Tristeza era a única que dava espaço para essa reflexão e era a única marginalizada. Lembra da pergunta do começo?
"Você já olhou uma pessoa e se perguntou: O que se passa na cabeça dela?"
A resposta estava onde menos se imaginava sendo deixada de lado pelo egoísmo daquela senhora Alegria.

Adorei o post !
ResponderExcluirVocê me animou muito á assistir :)
http://coisasdediane.blogspot.com.br/
Eu estou doida pra ver o filme, afinal é uma animação da Pixar.
ResponderExcluirBeijos
Pattyworld1.blogspot.com
https://www.youtube.com/watch?v=pcb-KuL4XNk
Amo animações!!!
ResponderExcluirSeu post só fez eu me perguntar mais porque ainda não fui assistir hehe.
BeiJU!
Paixão de Leitora | Fanpage
Adoro animações e essa me chama a atenção por tratar de um tema tão complexo de uma maneira tão simples. Certamente será uma boa dica para adultos e crianças.
ResponderExcluirPretendo assisti-lo em breve.
Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho. Serão dois vencedores.
Tenho muita vontade de assistir a esse filme, parece realmente trazer muitas reflexões importantes.
ResponderExcluirhttp://lenabattisti.blogspot.com.br/