21 de abril de 2015

Ciranda de Pedra.


Depois de muito (muito mesmo) tempo ser ler um romance, e empacada há quase um ano em O Mundo de Sofia, resolvi comprar algo pra ler. 
Entre tantas opções escolhi Ciranda de Pedra por que estava revendo o ramake da novela pelo Dailymotion e estava encantada. A primeira vez que assisti, era menina ainda e adorada aquela abertura ao som de Elis Regina, de quem sou fã. Enfim, me veio uma curiosidade em ler o romance assim que soube de sua existência. Afinal, vivem gritando aos quatro ventos que o livro é sempre melhor. Será? 

O romance é escrito por Lygia Fagundes Teles e, diferente do que foi escrito para TV, não narra a história de Laura e sim a história de Virgínia, no período de sua infância até a juventude. Talvez daí venha o por que do livro, nesse caso, não ser melhor que edição filmada (na minha opinião).

No livro, Virginia ainda é criança e vive a se questionar o motivo pelo qual, das três filhas de Laura, ela é a unica que não vive no conforto da casa do pai e sim em um bairro humilde com o padrasto e a mãe que sofre com problemas psicológicos. Além disso, Virginia sofre por estar sempre percebendo o quanto é diferente de suas irmãs Bruna, a religiosa, e Otávia, de quem tem uma enorme inveja por ser ela a mais bonita, talentosa e parecida com a mãe. Sempre que vai a casa do pai, compara as irmãs e o grupo de amigos formado por Conrado, Letícia e Afonso a uma ciranda de anões de pedra em volta de uma fonte, onde todos estão felizes de mãos dadas sem dá espaço para que ninguém mais adentre ao grupo; ou seja, ela que era sempre excluída.
Depois da morte de Laura, Virgínia descobre o motivo de sua diferença; na verdade, ela não é filha do pai de suas irmãs, Natércio, como sempre pensara, mas sim, filha de Daniel, o padrasto a quem passou a vida maltratando por julgar que ele tinha destruído o amor de "seus pais". Resolve então passar anos interna em um colégio de freiras, enquanto as irmãs seguiam caminhos opostos aos seus.
Quando enfim sai do colégio, se depara com uma realidade completamente diferente da que deixara pra trás; no entanto os fantasmas (lembranças) do passado ainda se fazem presente e ela aos poucos os supera, ao descobrir que na infância idealizara uma personalidade para cada uma daquelas pessoas completamente distinta do que realmente era.
Afonso, a quem pensou que sempre a olhava com olhar de desprezo, sempre a amou; assim como Conrado, a quem sempre amou, mas nunca se sentiu suficientemente capaz de disputá-lo com a irmã Otávia, com quem ele nunca teve nada. Bruna, a religiosa, a quem todos respeitavam e que se dizia integra ao ponto de poder julgar a todos, inclusive a mãe adúltera; na verdade era adúltera também, pois traia o marido Afonso com Rogério. Já Otávia, a quem Virginia sempre julgou flutuar na vida sem medir seus atos, na realidade, sabia exatamente o efeito que causava na irmã por parecer-se com a mãe, por ser a mais bonita, talentosa e invejada por ela.
Trata-se de um livro pequeno. Após passar por alguns momentos, no fim, Virgínia resolve fazer uma viagem sem destino deixando todo o passado pra trás, inclusive Conrado, que nos últimos capítulos declara que desde a infância sempre fora apaixonado por Virginia.

"Abandonei minha mãe no momento em que ela mais precisava de mim, era demente mas muitas vezes me reconhecia e no fim eu sei que quis me ver, eu sei. Mas lá tudo era feio, pobre, e eu queria o conforto da casa do meu pai - Umedeceu os lábios ressequidos e prosseguiu rapidamente antes de ser interrompida: - Você também deve saber que tio Daniel é que era o meu pai verdadeiro. Muitas vezes vejo agora que ele tentou me confessar isso, mas eu o detestava tanto que ele achou melhor calar. E acabou se matando, a bala entrou por um ouvido e saiu pelo outro... Não pude fazer nada por ele. Nem por Luciana que atormentei até o fim, a ela que lutava ferozmente para que a vida em nossa volta tivesse um aspecto menos miserável. Vestia e penteava minha mãe para que ela não parecesse tão sinistra, sempre roubava alguma flor em algum jardim para enfeitar a mesa dele - Fez uma pausa. Ouvia a própria voz ecoando mortiça - Então levei a inquietação pra casa onde pensei ser bem recebida, lá fui atormentar Natércio com minha presença. Ele queria esquecer e eu não deixava, eu com os olhos do outro, com o andar do outro, lembrando a traição, ressuscitando tudo"

Por outro lado, na versão escrita pra TV, os conflitos pessoais dos "anões de pedra dançando em uma ciranda em torno de uma fonte na casa de Natércio" são histórias coadjuvantes ao drama vivido por Laura (Eva Wilma/Ana Paula Arósio).
Na adaptação, Laura, tem seus transtornos psicológicos agravados pelas contantes judiações causadas pelo marido Natércio e pela governanta da casa, Frau Herta, que sempre quis ocupar seu lugar. Contudo, Laura aguenta o casamento por amor as três filhas: Bruna, a religiosa; Otávia, a que mais tinha traços da mãe e Virgínia, a filha preferida.
Ao longo da trama Laura luta para libertar-se do casamento com Natércio e viver seu amor com Daniel, seu médico e verdadeiro pai de sua filha caçula.
A história de Virgínia também é contada, mas de forma bem diferente de como é no romance. No folhetim, Virginia não só luta contra o "pai" para livrar a mãe do sofrimento, como também disputa, sem sucesso, o amor de Conrado com a irmã Otávia.
Eu, particularmente, prefiro a estória contada na novela do quê a contada no romance. No entanto, ainda não vi a primeira versão da trama que talvez seja diferente da segunda a qual me lembro bem. 
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